Convido-te para…o meu parto

Quando somos convidados por exemplo para ir jantar a casa de alguém, consciente ou inconscientemente, esperamos que a dona da casa nos dê indicações. De onde nos vamos sentar. Se é preciso levar alguma coisa. Como podemos ajudar. Etc. Há uma série de códigos sociais invisíveis, mais ou menos estabelecidos sobre a conduta de quem recebe, e a conduta de quem é convidado. Mesmo que sejamos a empresa que vai fazer o catering do jantar, ou seja, especialistas nessa área. E damos opções à dona da festa. Discutimos as várias hipóteses. Preparamos a seu gosto, da melhor forma possível, o resultado final. Quando chegamos ao espaço escolhido para o jantar, quer seja na sua casa ou não, é ela que nos vai orientar sobre como quer a disposição ou a ordem das coisas.

Como seria, se os cuidados de saúde materna fossem orientados sobre estes mesmos princípios? Mas que raio de comparação! Claro que escolher com quem parir não é como escolher entre o arroz de pato ou o salmão! Realmente. Então porque é que parece que atualmente temos mais escolhas na primeira hipótese? Escolher onde e com quem o nosso filho vai nascer é bem mais importante. Mas parece que somos encorajadas a pensar que não temos escolhas, é o que é e pronto, quem sabe melhor o que deve ser feito são as pessoas de fora. Porque nos é dada tanta escolha num caso tão trivial, e tão pouca naquilo que será um dos dias mais significativos da nossa vida? Não deveria ser assim. Há que tratar aquela mulher/casal, com todo o cuidado e respeito. Já é bastante frequente a mulher grávida fazer a sua pesquisa, e informar-se qual o melhor sítio para parir e/ou ser acompanhada, dependendo daquilo que é importante para ela e para o/a seu/sua parceiro/a. Pode ser que procure a melhor neonatologia. Ou que esteja fora de questão o/a companheiro/a não pernoitar com ela depois do nascimento. Ou lhe interesse o quarto mais confortável e privado possível. Ou talvez o local/profissional mais propenso, a respeitar os planos de parto. Ou a marcar-lhe a sua cesariana por razões não médicas. Seja qual for o quadro clínico, filosofias ou sonhos que aquela mulher tenha, a verdade é que o dia do nascimento do/a bebé será para ela inesquecível. Com tudo de bom e de mau que isso tem. A mulher não se vai esquecer daquele enfermeiro querido, que chegou, baixou as luzes e depois saiu com um sorriso. Ou da obstetra que a encorajou quando ela achava que já não ia conseguir. Tal como não esquecerá quando a cortaram enquanto pedia que esperassem pois queria mudar de posição. Nem de quando levaram o seu filho para fora do quarto durante imenso tempo, sem lhe explicarem para onde nem porquê.

Talvez ela pense que não tem escolha. E vai ao seu hospital mais próximo. Nunca ouviu falar de planos de parto, nem sabe que a sua opinião conta. Pois mesmo aí. Merece os melhores cuidados. Todos os profissionais de saúde que a acompanharem, são convidados. Convidados neste momento tão importante da sua vida. Convidados a testemunhar a sua expressão quando vê a imagem do/a bebé na primeira ecografia. Convidados quando ela pergunta se aqueles sintomas são normais. Convidados a dar a sua opinião profissional, quando o quadro clínico se agrava. Convidados a ter o privilégio de testemunhar as lágrimas nos seus olhos e do/a seu/sua parceiro/a, quando vêm a criança pela primeira vez.

E tu? Quem vais convidar para o teu parto?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *