Carta a um pequeno, pequeníssimo bebé-peixe

Ainda mal de conheço e já gosto tanto de ti. Fui à net ver o aspeto/tamanho que terias. Pareces-me um peixe. Meu pequeno, pequeníssimo bebé-peixe. O primeiro trimestre. Nadas dentro de mim, minúsculo e já tão presente.

Que fase especial esta. Ainda (quase) ninguém a não ser eu sabe que existes. Os sintomas às vezes estão cá, às vezes não. Será tudo fruto da minha imaginação? Não! Cá estás tu. Já tão cheio de possibilidades. Adoro este tempo. Um tempo antes do tempo. Em que ainda há tanto tempo. Para agir, planear, nomear, escolher, contar, encontrar. Antes da enchente de conselhos, parabéns, reacções, perguntas, exames, listas de afazeres, histórias mais ou menos bem-vindas, mais ou menos felizes de como aconteceu com eles. És o meu segredo precioso. Um tempo para o silêncio e para a quietude. E acima de tudo, um tempo para confiar. Esse confiar, deixar fluir, é bom e assustador ao mesmo tempo. Não há mesmo nada que precise de fazer para que te desenvolvas. Há poucas coisas assim na vida. Não estou habituada a não ter de fazer algo para que algo aconteça. Mas sim. Escolho confiar.

Tenho estado a pesquisar, sobre o que se passa contigo aí dentro, na tentativa de espreitar para dentro desse teu/nosso Mundo misterioso. A “ciência” da coisa. Ciência. Ora….como nós humanos gostamos de encontrar formas de sustentar a ilusão de que controlamos seja o que for. A mim parece-me mais místico e mágico do que outra coisa.

No primeiro mês de gravidez o saco amniótico forma-se em torno do óvulo fertilizado, e ajuda a amortecer o embrião em crescimento. A placenta também se desenvolve por esta altura do primeiro trimestre. A placenta é um órgão redondo e plano que transfere os nutrientes da mãe para o bebé. Uma cara muito inicial vai ganhando forma por esta altura também. Os olhos são dois círculos pretos, a boca, o maxilar inferior e a garganta estão também a desenvolver-se. As células do sangue começam a tomar forma, e a circulação começará. No final do primeiro mês de gravidez, o bebé mede cerca de 7 mm de comprimento, como um grão de arroz.

Meu pequeno, pequeníssimo bebé-peixe. Para já, sou só tu e eu…

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